A professora comenta: “acabo de receber um aluno de inclusão”, e eu fico imaginando um sala de aula uniforme, ajustada e, de repente, o inesperado, a exceção chega na sala de aula: o aluno de inclusão!
Falamos de inclusão, mas ainda nos falta cultura inclusiva. O que temos então: aluno de inclusão ou sala de aula inclusiva?
O primeiro conceito, que trata a inclusão como uma exceção, um acidente de percurso na sala de aula, não tem nada de inclusivo. Talvez, por conta dessa visão, tenhamos tanta dificuldade em promover a inclusão!
Aluno de inclusão: Quem precisa ser incluído?
Em todo ambiente coletivo, todos precisam ser incluídos: Dos alunos aos professores. Todos precisam ser considerados e respeitados em suas características, habilidades e dificuldades.
A visão seletiva de inclusão incentiva a desigualdade. E isso nada tem a ver com a inclusão de fato.
Precisamos reconhecer a inclusão como prática diária e direito de todos.
No ambiente escolar, a inclusão não pode ser um acidente de percurso na prática pedagógica, um peso a ser negado, fortalecendo a desigualdade.
Antes porém, deve ser uma atmosfera, onde todos os envolvidos respiram dela. Uma sala de aula inclusiva, não espera aluno de inclusão. Ela é gerida para a inclusão.
Habilidades e dificuldades são tratadas com respeito e naturalidade. Sistemas de apoio e cooperação funcionam durante todo o percurso do processo e recursos de adaptação, flexibilização do currículo e da estratégia didática estão presentes na rotina diária.
A sala de aula inclusiva, se antecipa à chegada dos alunos. Não trabalha com ledor de provas apenas em final de processo de avaliação e abandona a leitura dos alunos durante o percurso da “ensinagem”. Não, não, os sistemas de apoio de leitura estão instalados dentro das salas de aula. Aquele aluno com atraso de leitura sabe com quem contar em todo o processo.
Solidariedade e parceria são estimuladas e é muito comum em salas de aula inclusiva, a troca de apoio: “eu posso ler pra você”. “Nós podemos fazer juntos essa atividade”. “Vamos levar propostas de mudança para nossa professora.”
E, por último, em salas de aula inclusiva, o ensino não entra por única porta, muitas portas são abertas e níveis diferenciados de aprendizagem são respeitados.
Em salas de aula inclusivas, não tem bullying, não tem dificuldade de acesso. Todos são reconhecidos e respeitados. Todos têm voz. A sala de aula inclusiva tem um compromisso com a igualdade.