por Zilanda Souza
Semanas depois de o aluno ser encaminhado para a avaliação neuropsicopedagógica, chega à escola um ou dois questionários (inventários, escalas), enviados pelos profissionais responsáveis pela avaliação, para o professor responder sobre esse aluno. Quando esses instrumentos são utilizados, comumente a família também participa e responde. Chamamos essa parte da avaliação geral de avaliação ecológica.
Ela recebe esse nome porque investiga habilidades e dificuldades dentro dos ambientes mais comuns para a criança/adolescente, que são a família e a escola. Profissionais atualizados usam esse procedimento e se baseiam em instrumentos padronizados e validados, afim de que possam ter à mão dados fidedignos para compor o processo de avaliação.
Também se apoiam em análises conjugadas entre os dois ambientes investigados. Por fim, esses dados serão analisados junto aos resultados obtidos em ambiente clínico, através de testes específicos, também padronizados e validados, e por meio de exames solicitados pelo médico que compõe a equipe interdisciplinar. Tentei resumir aqui, um processo de avaliação do neurodesenvolvimento infantojuvenil.
Mas, por que usamos a avaliação ecológica? Por que a participação de pais e professores é tão importante na investigação de transtornos e dificuldades? Os estudos vêm apontando qual é o lugar da avaliação ecológica e por que ela é tão importante. O autor Russsell A. Barkley, uma das referencias mundiais na investigação do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), afirma em um de seus estudos que, 35 a 65% das pessoas com TDAH podem obter resultados satisfatórios em testes de atenção, inibição e memória e ainda assim, terem o transtorno.
Para habilidades executivas, os testes clínicos têm apresentado pouca sensibilidade para medir isolada e fidedignamente tais habilidades. A avaliação ecológica tem sido a ferramenta, até então, eficaz, para a investigação de possíveis alterações nessas habilidades. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) também se apoia nessa modalidade de investigação, uma vez que o contexto social é o palco para os sintomas.
Porém, para que os instrumentos utilizados na avaliação ecológica mantenham a eficiência necessária, é fundamental que as pessoas que participam dela, no caso, pais e professores, tenham um comportamento padrão frente ao instrumento. Quero apresentar alguns cuidados que família e escola devem ter quando forem responder a uma avaliação ecológica:
Quando pais e professores, respondem uma avaliação ecológica, eles não estão emitindo diagnóstico para a criança/adolescente em avaliação. Estão participando de um processo. Processo esse que vai considerar esses e outros fatores para o levantamento de uma hipótese diagnóstica.
Negar-se a participar ou ser negligente durante a participação, pode prejudicar consideravelmente todo o processo. Habilidades como funções executivas, que dependem da avaliação ecológica, podem não ser acessadas e conhecidas na sua amplitude comprometendo o processo geral da avaliação.